Como encontrar um tema sem cair em clichês
- Marisa Melo

- 15 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 26 de dez. de 2025

A escolha de um tema é muitas vezes o primeiro impasse na trajetória do artista. A tentação é recorrer ao que parece mais seguro: identidade, memória, corpo. Embora sejam campos férteis, tornam-se frágeis quando abordados de forma superficial. O desafio está em ir além da repetição. Encontrar um tema não significa escolher uma palavra-chave, mas observar com atenção o que realmente chama atenção no cotidiano. Um detalhe da rua, um gesto familiar, uma sensação recorrente: esses elementos menores costumam carregar mais força poética do que grandes slogans. O que transforma uma ideia em clichê não é o tema em si, mas a forma como é tratado. Se o artista conseguir cavar singularidade no banal, já terá se afastado do raso. O tema nasce quando deixa de ser assunto e se torna investigação.
Como transformar experiência pessoal em linguagem estética
Todo artista parte de uma experiência íntima: uma memória, um afeto, um episódio marcante. O risco é permanecer preso ao relato pessoal, sem encontrar forma para partilhá-lo. A passagem da experiência para a linguagem acontece quando se busca um modo de torná-la legível sem perder profundidade. Uma lembrança de infância pode virar cor recorrente, ritmo de pincelada, escolha de material. A dor ou a alegria podem ser traduzidas em silêncio cromático, repetição de gesto, construção de vazio. O segredo está em converter o vivido em procedimento estético, e não em confissão direta. Quando o íntimo encontra uma forma compartilhável, torna-se arte. A experiência pessoal não precisa ser narrada: precisa ser transformada.
Como escrever sobre a própria obra sem repetir discursos prontos
A escrita sobre a obra é parte do trabalho artístico, mas muitos iniciantes caem na armadilha de reproduzir fórmulas. Palavras corriqueiras e gastas surgem com tanta frequência que perdem sentido. O desafio é escrever de forma simples, clara e honesta, sem jargões. Uma estratégia é começar descrevendo o que se vê: cores, materiais, gestos. Depois, situar essas escolhas em relação a um interesse: “uso o azul porque me remete ao horizonte”, “trabalho com papel reciclado por sua fragilidade”. Essa combinação de descrição e intenção constrói um texto que sustenta a obra sem cair em repetições do mercado. Escrever sobre a própria prática é também um exercício de autoconhecimento: nomear o que se faz ajuda a perceber o que realmente importa no percurso.
Se você deseja aprofundar sua pesquisa, escrever sobre sua obra com consistência ou organizar uma coleção que reflita escolhas críticas, disponibilizo consultoria em arte. A partir de um olhar curatorial, ajudo a transformar temas, experiências e processos em caminhos sólidos e duradouros.






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