PAISAGEM PARA MONET | MAYA VERONESE
- Marisa Melo

- há 3 dias
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Atualizado: há 1 dia

“Pintar não é copiar a natureza, mas trabalhar com ela.” A frase de Claude Monet ajuda a aproximar o olhar da pintura de Maya Veronese. A paisagem não nasce da tentativa de reproduzir a natureza com precisão. O que organiza a tela é a cor, a movimentação das pinceladas e a maneira como a tinta ocupa a superfície. Existe liberdade na construção da imagem, principalmente na forma como céu, água e vegetação se misturam sem divisões rígidas. O rio azul conduz o olhar para dentro da cena e cria profundidade na composição. Em volta dele, verdes, amarelos, violetas e laranjas aparecem em camadas espessas de tinta que mudam constantemente de direção. A montanha ao fundo estabiliza a paisagem e cria contraste com a movimentação mais intensa das áreas centrais da tela. Em muitos momentos, a pintura parece construída mais pela sensação da paisagem do que pela descrição dos elementos naturais.
Monet aparece como referência importante, principalmente na relação entre luz, cor e pincelada fragmentada. Ainda assim, a pintura não procura repetir soluções do impressionismo histórico. Maya conduz a imagem por escolhas muito próprias, deixando que o gesto continue visível e que a construção da paisagem aconteça diante do olhar. As áreas de água recebem toques rápidos de branco e azul que ampliam a sensação de movimento, enquanto pequenos pontos rosados reorganizam o equilíbrio cromático da composição. As marcas do pincel permanecem aparentes em toda a tela. Em alguns trechos, a tinta cria relevo e peso físico sobre a superfície, aproximando o observador do tempo da execução da obra. Não existe preocupação em esconder o processo da pintura. A imagem conserva mudanças de direção, acúmulos de tinta e pequenas irregularidades que tornam a paisagem mais viva.
A obra ganha ainda mais interesse quando observamos o momento em que foi realizada. A pintura surge no domingo seguinte à participação da artista no Art Battle em Sydney, experiência marcada pela rapidez da execução e pela pintura realizada diante do público. No dia seguinte, Maya decide passar horas diante de uma nova tela, trabalhando lentamente cada parte da composição. A paisagem nasce também da admiração por Madalena, artista de Friburgo com quem teve apenas uma aula durante a infância. A lembrança dessas pinturas reaparece agora reinterpretada pelo seu próprio modo de pintar. Mesmo ainda muito jovem, Maya Veronese já apresenta um percurso marcado por exposições e premiações. Suas pinturas mostram mudanças perceptíveis de uma obra para outra, principalmente na maneira como organiza a paisagem, trabalha a cor e conduz as pinceladas. Existe crescimento na relação com a superfície da tela e maior segurança na construção da imagem.
A força desta obra está justamente na liberdade com que a paisagem é construída. As pinceladas permanecem abertas, a tinta continua visível e a pintura conserva o tempo da sua execução em cada área da tela.
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