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A Geometria da Claridade:

Do Impressionismo de Monet ao Volume Pictórico de Lenny Hipólito



Pintura de Claude Monet com lago de ninfeias, flores rosadas e reflexos de salgueiros sobre a água azul.
Ninfeias - Claude Monet

 

Quase três séculos depois que Caravaggio desafiou as certezas humanísticas e antropocêntricas do Renascimento com incidência de sua luz radiante... Monet retomava o antigo tema, mas, dessa vez, escancarando uma janela pela qual entrava, finalmente, o raio de um universo feliz por borrifar mesmo as sombras com o improviso de uma verdade revelada.

                                                                                                        Francesco Arcangeli -1948

 

Um artista que se compromete com os seus resultados, nunca poderá interromper os seus estudos, pesquisas, como valor agregado ao volume do seu conhecimento para esbanjar ideias criativas, com maestria e sensibilidade, sendo capaz de transformar a densidade da tinta na pureza da poesia radiosa, configurando um trabalho que impacta, conecta e transcende as emoções das pessoas.


O maior legado de um artista, é quando a luz da sua obra de arte é capaz de reverberar, encontrando a alma de quem a aprecia, criando um vínculo duradouro além do tempo, abrindo janelas e portas de exuberante beleza, além de despertar consciência no olhar de cada investidor / apreciador.


Eu me inspiro nesse ensinamento, procurando me ver no reflexo resplandecente desse espelho! Por tudo isso, insisto em mergulhar com todo o meu esforço e disciplina em algumas antologias críticas, livros, e outros diversos estudos como sempre me procedi. Dentre várias referências, quero destacar a obra de Monet, descrita na Coleção Grandes Mestres da Abril Coleções, me fazendo compreender a subordinação da forma ao domínio expressivo da cor.


Estudando as análises dos grandes mestres da crítica antológica, diagnostiquei que Monet não ia de encontro à representação estagnada do mundo, mas a obtenção da própria vibração da existência. Pois, a obra incessantemente bela do Monet, representa como uma arquitetura construída com inúmeros grãos de luz e ânimos cenários, que dilui a solidez das formas e concedem o lugar à captação do instante.


É tão mágico observar tudo isso, pois somos estimulados a inibir o olhar passivo e a integrar a uma experiência, onde o pincel reina como um veículo imperioso, traduzindo a luz e criando a tela como um cenário de energia com estimada sensibilidade transcendental, e que somente o Monet exercia esse poder de tanta beleza indescritível.


Muito além da nossa capacidade de perceber, pensamos que o legado do poder do Monet, implica no seu domínio físico sobre o campo, a matéria. Estudando toda a sua jornada como artista, concluí que o movimento impressionista foi em seu âmago um confronto técnico à espessura da tinta à óleo.


Monet conseguiu com esmero, transformar os pigmentos em condutores de luz, fazendo o uso de camadas sobre camadas, criando pinceladas fragmentadas para capturar a vibração do ambiente atmosférico, que certamente o desenho estático e rígido nunca conquistaria. Pois, com o Monet não havia simulação, era o brilho puro do óleo que refletia a luz e aplicava a dissolução de todas as formas, dando lugar a uma abstração única e autêntica. Por meio de um domínio técnico com o pincel, celebrou a conversão da densidade da tinta em uma das mais etéreas e fugazes apresentação do tempo.


Ainda estudando a obra Grandes Mestres / Monet, percebi que no século XIX, a crítica discutia a “impressão”, como um esboço. Atualmente esse modelo de pensamento converge em inusitados horizontes na criação contemporânea. Entendendo que, a procura pela luz incessante não adormeceu na história, porém se metamorfoseou em novos modelos de ações pictóricas, como nos convida a novos diálogos quanto a pequenos detalhes, os traços, onde a luz não somente atinge a superfície, mas que edifica.  

 

Inúmeros artistas que assumem a responsabilidade com o uso da tinta à óleo como uma forma de manifestar a sua soberania pictórica, como é o caso da Lenny Hipólito (eu), procuro conduzir esse legado consistentemente e permanentemente, pois integra ao modelo da minha jornada artística transformando as minhas observações quanto à natureza em uma vivência tátil e tridimensional em todos os meus processos criativos, e que reafirma o meu êxito. Sinto como se fosse um progresso que comunica e interage com o pensamento do nosso mestre Monet. Enquanto Monet desmembrava as pinceladas para capturar a luz, o estudo e a prática incansável de Lenny Hipólito (eu), desenvolvo a técnica do pontilhismo, utilizando um volume pictórico abundante e rigoroso. Criando uma linguagem de que o ponto não implica somente em uma unidade de cor, mas uma força escultórica de tinta que comunica e transforma os tons conforme a iluminação do ambiente. Ou seja, nesse curso estético, observamos a dissolução da forma de Monet como nas catedrais e ninfeias, e indo de encontro ao exagero do volume pictórico de Lenny Hipólito, onde registra, que a luz não se apresenta apenas como um milagre atmosférico para transfigurar-se em um instrumento de composição. A luz é apresentada como uma geometria que delimita, suprindo todo o espaço. Deixando de ser o caso de apreciar a luz que atravessa, porém, habitar a luz que se instala permanentemente.


Neste contexto, o volume da criação de Lenny Hipólito, meu trabalho, se conquista por meio da densidade cromática, dando o seu show, se apresentando como um refletor demasiadamente vivo. Ainda assim, as sombras se projetam na tela pelos seus específicos relevos, criando protuberâncias pictóricas reais, que mudam conforme o deslocamento do observador e a luz do dia ou refletora se transforma. É uma comemoração da matéria “tinta”, quando a luz não impera somente aos olhares, porém é sentida através da conformação da obra. Com essa perpetuidade instalada, destaco que o foco na luz é uma conquista eternizada e que a arte é uma divindade, uma criatura competente para unir histórias de todos os tempos, todos os séculos, através de um mesmo ideal.


Diferentemente da mancha etérea divina do Monet, o volume no meu trabalho – Lenny Hipólito, é conquistado através de uma abundante densidade cromática, conseguindo determinar com a minha técnica um rompimento primordial com a bidimensionalidade convencional, transformando a obra em um espaço de robustezas escultóricas. Pois, cada aplicação e intervenção de pigmento, pesquisa a massa. Trata-se de uma geometria muito interessante, pois a luz não reflete do objeto, ela simplesmente flui da própria disposição e configuração da tinta. Assim, as camadas sobre camadas pictóricas, criam relevos que instantaneamente apreendem e registram a luz real do ambiente, criando sombras autênticas dentro da obra. E tudo se torna mágico nesse plano, pois, o olhar é direcionado por planos que se encontram e se unem, e apresentam volumes que se transpõem do plano pictórico. É naturalmente belo, observar a luz estruturada por mãos que sabem com maestria esculpir com o pincel. Certamente, consolida-se essa maravilha em muita técnica e treino permanentemente.


Aqui registro uma missão de continuar a viver e aprender para redescobrir o mundo, utilizando como meu transporte cada ponto de cor e cada sobreposição de camadas de tinta, apontando volumes densos e abundantes. Pois, o meu mérito é me tornar herdeira absoluta de grandes mestres da arte, mas com certeza, utilizando a minha técnica exclusiva e autêntica, sem perder a poesia do meu processo criativo. Além de aprender que, se antes a “impressão” era o esboço do tempo, sempre no meu processo ela há de ganhar vida, corpo preenchido com uma tridimensionalidade que propõe ao impacto do olhar não somente em uma pintura à óleo, mas em uma escultura de luz e cor, utilizando o segredo do Monet inclusive, que eu também trouxe depois de inúmeros anos de pesquisas e estudos. Assim, proponho que a luz sempre há de ganhar corpo em todo o volume do óleo, fazendo um convite ao toque de cada olhar sensível, que se apega ao modelo de uma arte que traduz sentimentos e emociona pessoas.


Nesta geometria que destaca a luz da polidez dos conceitos de Monet à voz contemporânea de Lenny Hipólito, é o que me anima e dá sentido às jornadas que já percorri até aqui, e seguramente às outras que virão. Uma metamorfose sublime na essência da pintura. Ressaltando que, Monet liberou a luz da consistência da forma e possibilitou que ela celebrasse os seus voos como um verdadeiro sonho, enquanto todo o volume pictórico de Lenny Hipólito (eu) executo a dinâmica inversa e necessária, dando à luz uma moradia sólida, inabalável. Não é somente a luz que passa, como Monet nos ensina a contemplar o momento poeticamente; estamos à vista   de uma luz radiante, que ganha massa, como Lenny Hipólito (eu), os convido a viver a composição estruturada com tanta beleza.  Aqui a pintura não se registra mais como uma encenação, para se tornar presença, simplesmente ela encontra e toma posse da sua forma, encantadamente.




Lenny Hipólito

Instagram: @lennyhipolito.art

 


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