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Observar e Contemplar: A Arte da Percepção





Assim como o ar que respiramos, a presença da Arte permeia nosso entorno, incessante e ubíqua. Em todos os momentos, em todos os lugares. A agitação cotidiana e a constante presença do celular podem nos privar da percepção do quanto há para ser contemplado, mesmo nos trajetos rotineiros que percorremos diariamente.


Nessa dança entre a criação e a contemplação, cabe ao artista a nobre missão de traduzir o mundo externo e os intrincados sentimentos da alma para a linguagem da Arte. Ao eternizar esses elementos em sua obra, o artista nos resgata da urgência e apatia que muitas vezes nos envolvem, proporcionando um refúgio onde podemos nos reconectar com a essência do humano.


Seja na música que ressoa em nossa alma, no vinho que desperta nossos sentidos, no quadro que nos envolve em sua paleta de cores, na escultura que nos convida ao toque ou no poema que acaricia nossos pensamentos, todos esses elementos compartilham uma linguagem universal que dialoga diretamente com nossos sentidos. Eles exigem mais do que uma mera observação superficial; demandam atenção dedicada e a dádiva preciosa do tempo. Bach, Dalí e Neruda, mestres em suas respectivas expressões, sussurram ao observador, pedindo-lhe a paciência necessária para desvendar suas genialidades, que não podem ser apreciadas de maneira apressada.


A afirmação de Rober Cumming, de que para ver basta abrir os olhos, é um convite à simplicidade. No entanto, a profundidade do olhar reside na abertura da mente, um processo que, acreditamos, é potencializado quando acompanhado pela sintonia do coração. A verdadeira apreciação artística, portanto, vai além do simples ato de ver; é um convite à imersão, à introspecção e à conexão íntima com o que está diante de nós.


Nas galerias de exposições, frequentemente palco de interações sociais efêmeras e superficiais, observo visitantes imersos em animadas conversas, alheios ao significado subjacente das obras ao seu redor. Percorrem corredores repletos de expressões artísticas sem dedicar um olhar atento, deixando no ar a dúvida sobre o que foi verdadeiramente absorvido. Qual é a conexão estabelecida entre o observador e a mensagem que o artista quis transmitir?

A verdadeira apreciação da beleza e a compreensão profunda da mensagem exigem mais do que o uso dos olhos. É necessário que a mente esteja aberta e que o coração esteja receptivo para a emoção que emana das formas e cores. Assim, "olhar" transcende a mera observação; é, por si só, uma forma de Arte, uma resposta consciente e profunda ao convite do criador para desvendar os encantos que se ocultam nas entrelinhas da existência.


Ver não é o mesmo que olhar!


 

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