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Por que os colecionadores estão voltando aos ateliês?

  • Foto do escritor: Marisa Melo
    Marisa Melo
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Em um mercado no qual descobrir artistas se tornou cada vez mais rápido, cresce entre colecionadores o interesse por conhecer a produção dentro do ateliê. O movimento ajuda a entender o que procuram quando decidem acompanhar uma trajetória, além da obra que inicialmente despertou seu interesse.



Mulher sentada em poltrona cinza, com blazer bege e saia verde, ao lado de vaso branco com escultura vermelha, fundo escuro.



A circulação da arte nunca foi tão rápida. Uma obra recém-concluída pode aparecer no Instagram antes de deixar o ateliê, alcançar colecionadores de outros países e iniciar uma negociação sem ter participado de uma exposição. Seria razoável imaginar que essa facilidade reduziria o interesse pelo encontro presencial, mas os dados recentes indicam outro movimento. Segundo o Survey of Global Collecting 2025, realizado pela Art Basel e UBS, colecionadores de alto patrimônio visitaram, em média, cinco ateliês em 2019 e sete em 2024, com previsão de oito visitas em 2025. O crescimento chama atenção justamente porque ocorre enquanto o acesso digital aos artistas também aumenta.


Uma exposição apresenta um recorte definido, assim como as redes sociais mostram uma seleção de trabalhos fotografados e organizados para circulação. No ateliê, a produção aparece em outra extensão. Obras concluídas convivem com estudos, experiências interrompidas, trabalhos anteriores e pesquisas recentes. Para um colecionador que acompanha artistas ao longo dos anos, observar esse conjunto permite identificar escolhas que retornam e perceber até onde determinadas experiências tiveram continuidade. Uma seleção reduzida pode sugerir uma unidade que a produção ainda não sustenta, assim como obras aparentemente distantes podem revelar relações quando vistas juntas. Estruturas, soluções cromáticas, materiais ou maneiras de construir a superfície reaparecem e ajudam a compreender como aquele artista vem desenvolvendo seu trabalho.


Há ainda a possibilidade de encontrar uma pesquisa antes de sua apresentação pública. Uma série pode estar começando, algumas obras ainda podem sofrer alterações e determinados estudos talvez sejam abandonados. Esse estágio revela decisões que desaparecem quando vemos somente aquilo que chegou à exposição. Para quem acompanha uma trajetória, interessa compreender também como o artista seleciona, desenvolve e abandona possibilidades, porque uma carreira se constrói a partir de sucessivas escolhas e da capacidade de aprofundar questões ao longo dos anos.


A experiência presencial acrescenta ainda informações que a fotografia reduz. Pinturas de grandes proporções chegam à tela de um celular no mesmo tamanho de trabalhos pequenos, enquanto matéria, espessura, superfície e escala são traduzidas por uma imagem plana. Uma obra que parece convincente na fotografia pode perder força quando vista pessoalmente, assim como um trabalho pouco favorecido pela reprodução pode apresentar uma construção muito mais complexa diante do espectador. Para quem considera uma aquisição, essa diferença tem consequências concretas, especialmente quando material e escala participam diretamente da pintura.


O crescimento das visitas aos ateliês também precisa ser compreendido dentro de um mercado em que o colecionador utiliza vários caminhos para chegar aos artistas. A pesquisa da Art Basel e UBS registra a utilização de canais digitais, compras diretas e participação das galerias nas aquisições. Um trabalho pode ser descoberto nas redes, visto posteriormente em uma exposição ou feira e pesquisado antes de uma visita ao ateliê. Descobrir um artista e conhecer sua produção são experiências diferentes. A primeira pode acontecer rapidamente diante de uma imagem, enquanto a segunda exige observar conjuntos, acompanhar mudanças e entender como determinadas escolhas se desenvolvem.


Talvez o interesse atual pelo ateliê esteja justamente nessa diferença. Em meio à quantidade de obras que circulam diariamente pelas telas, encontrar novos artistas tornou-se mais simples. Para o colecionador interessado em acompanhar uma trajetória, a visita permite avaliar se o interesse provocado por uma obra encontra sustentação no restante da produção e, principalmente, se há uma pesquisa que justifique continuar acompanhando aquele artista nos anos seguintes.

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