projetos

Marisa Melo
Impermanência 

2019

Com o projeto “Impermanência” quero contribuir para a criação de uma consciência sobre a transitoriedade. Sua aceitação pode ser libertadora. Como na história do imperador que pediu a seus sábios um amuleto que o ajudasse a enxergar a ilusão dos momentos de euforia e tristeza. O que eles lhe entregaram foi uma placa onde estava escrito “Isto também passará”.

Sabemos que tudo passa. Ainda assim, principalmente no Ocidente, a morte é um tabu. Não se pode nem falar a respeito dela. A lembrança inconveniente de que mesmo nossas vidas chegam ao fim, é evitada. Para quem mentimos? Quem estamos enganando?

Sem negação e sem escapismo, o que precisamos é buscar a preparação para esse processo. Afinal, todos nós, um dia, vamos morrer. Buscamos uma vida intensa. Só nos falta a coragem para enfrentar o fato de que essa peça tem um epílogo, que deve dar sentido ao que veio antes e preparar as cenas dos próximos atos, em que seremos, uma vez mais, protagonistas.

Na busca incessante de amor, sucesso, dinheiro e aparências, rodamos em círculos, em alta velocidade. Até que, de repente, sem aviso, essa ciranda é interrompida. E somos obrigados a um mergulho interno que nos faz, finalmente, questionar nossos apegos e aceitar que tudo passa. Até nós.

E depois?

Há um depois? Para onde levam o túnel, a ponte, o partir? Neste projeto, apresento vida e morte como faces de uma mesma moeda. Com a convicção de que há uma sequência nesse enredo.

E de que é preciso perceber que há morte na vida e vida na morte. Yin e Yang.

Morte nos vários “eus” que enterramos, em nosso processo de contínua transformação.

Vida que segue em outras dimensões e na memória de todos que cruzaram nosso caminho.

Marisa Melo
Água não(só) para beber

2019

 

A coleção “Água (não só) para beber”, representa minha gratidão a este elemento tão necessário, tão presente e tão vital.

No “Cântico das Criaturas”, São Francisco a chama de “Irmã Água, útil, humilde, preciosa e casta”.

Símbolo de pureza, ela está conosco em todos os momentos.

Junto com o choro que anuncia nosso nascimento, ela vem nas lágrimas de alegria dos que esperaram pela nossa chegada. E assim começamos nosso curso pelo rio da vida.

 

Ao longo do caminho, ela estará sempre conosco, em suas mais variadas manifestações.

Na solidez fria do gelo e no vapor escaldante, ela reflete nossos estados de espírito, ora calorosos, ora glaciais.

Em orvalho, neblina ou nuvem.

Abraçando e envolvendo na forma de chuva.

Com a violência de uma tempestade ou na delicadeza de uma garoa, pintando de cinza uma tarde solitária.

Gotas de chuva no telhado, embalando o aconchego de nossos sonhos.

Correnteza, quedas d’água: como véus que se abrem, revelando a Natureza.

 

Nutrindo raízes, acariciando folhas. Trazendo flores, servindo frutos.

Vida para quem tem sede.

Morte para quem se afoga.

No esporte, no trabalho e no sexo, ela é o suor que pinga de nossa testa.

 

Até o dia em que completamos nosso ciclo e o rio da vida chega ao mar.

Mar enorme, desconhecido, um oceano de mistérios e esperança.

Numa travessia em que nossa única bússola será o amor que conseguimos compartilhar.

Uma vez mais, em forma de sentimento, ela virá nas lágrimas dos que nos levarão, para sempre, em suas memórias.

 

Voltamos ao pó, mas a Irmã Água continua presente nos que seguem vivos.

Em vida, sentimentos, morte.

 

 

 

Water (not just) for drinking

 

In the "Canticle of the Creatures", St. Francis calls her "Sister Water, useful, humble, precious and pure."

Symbol of purity, she is with us at all times.

Along with the cry that announces our birth, she comes in the tears of joy from those who waited for our arrival. And so we begin our course by the river of life.

 

Along the way, she will always be with us, in her most varied manifestations.

In the cold solidity of the ice and the scorching steam, she reflects our moods, sometimes warm, sometimes glacial.

In dew, mist or cloud.

Hugging and wrapping in the form of rain.

With the violence of a storm or the delicacy of a drizzle, painting a gray lonely afternoon.

Drops of rain on the roof, cradling the warmth of our dreams.

Currents, waterfalls: like veils that open, revealing Nature.

 

Nourishing roots, caressing leaves. Bringing flowers, serving fruits.

Life for those who are thirsty.

Death for those who drown.

In sports, work and sex, she is the sweat that drips from our forehead.

 

Until the day we complete our cycle and the river of life reaches the sea.

A huge, unknown sea, an ocean of mysteries and hope.

In a journey where our only compass will be the love we shared.

Once again, in the form of feeling, she will come in tears of those who will carry us, forever, in their memories.

 

We return to the dust, but Sister Water is still present in those who are still alive. In life, feelings, death.

Marisa Melo
Tempus Fugit 

2020

Com a exposição “Tempus Fugit”, a artista visual Marisa Melo aborda questões fundamentais associadas ao desafio do tempo. As doze obras são como doze badaladas. Uma volta de ponteiro, um ciclo, a nos lembrar que o tempo parece se mover de modo circular e repetimos ciclicamente situações e comportamentos. Cada obra é uma badalada, com uma nova visão do tempo. Esse tempo de duração tão relativa, que se arrasta para os prisioneiros, e voa ligeiro para os amantes.

Tempo que consome a beleza física e destaca a verdadeira beleza, que é a da alma.

 

Nestes trabalhos, Marisa Melo conta uma história. Para isso ela se vale de cores marcantes que contribuem para caracterizar a passagem do tempo. Assim como a passagem das estações, onde o vermelho alaranjado das folhas do outono dá lugar ao branco da neve de inverno, antes da chegada do verde da primavera. Onipresente, o relógio, muitas vezes aparece sobreposto à imagem e quase ouvimos seu tic-tac.

 

Marisa Melo nos chama a atenção para nosso real desafio que é aproveitar o tempo. Porque ele foge, ele voa. Por isso a expressão latina “Tempus fugit” aparece em muitos relógios. Possibilidades se renovam, a cada volta do planeta, a cada sol nascente. A cada avanço dos ponteiros. Mas o movimento circular do tempo é na verdade uma espiral ascendente. Onde enfrentamos os mesmos problemas, mas estamos cada vez mais elevados, mais fortes. Mais preparados e mais sábios.

Com discernimento para perceber que o tempo não é um vilão. E, sim, uma dádiva.

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© 2019 Marisa Melo

São Paulo - Brasil 

e-mail: contato@marisamelo.com

+55 (11) 99724 0909

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