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marisa melo

SP-Arte 2026: Número e mercado

  • Foto do escritor: Marisa Melo
    Marisa Melo
  • 14 de abr.
  • 3 min de leitura

Interior moderno de shopping/galeria com rampas brancas, coluna espiral rosa e pessoas caminhando entre lojas e obras.


SP-Arte 2026 chegou à sua 22ª edição entre os dias 8 e 12 de abril, ocupando novamente o Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Foram 180 expositores entre galerias nacionais e internacionais, estúdios de design, museus, editoras e espaços independentes. Desde 2005, a feira concentra parte importante das negociações, da circulação institucional e das relações entre galerias, artistas e colecionadores no Brasil. O que aparece ali ajuda a compreender mudanças concretas do mercado, principalmente na forma como obras passaram a ser adquiridas e valorizadas nos últimos anos. Durante muito tempo, a valorização esteve diretamente ligada à monumentalidade da obra, ao reconhecimento institucional do artista e à presença em grandes coleções. A edição de 2026 mostrou outro comportamento. Cresceu o interesse por construções de coleção mais graduais, por obras de menor escala e por produções capazes de manter coerência visual ao longo do tempo.


As galerias apresentaram escolhas bastante precisas. A Simões de Assis trouxe pela primeira vez ao país obras de Mary Weatherford, artista presente em instituições como o Museum of Modern Art e a Tate Modern. A Fortes D’Aloia & Gabriel apresentou artistas já consolidados internacionalmente, incluindo Leda Catunda. No mercado secundário, a Galeria Paulo Kuczynski levou um mural de Alfredo Volpi em escala museológica, reforçando o interesse contínuo pelo modernismo brasileiro. Os números da feira confirmaram um mercado aquecido. Parte das negociações aconteceu em dólar e vendas de grande porte foram concluídas logo no primeiro dia. Segundo levantamento do portal Arte Que Acontece, a Galatea registrou três vendas na faixa de R$ 1 milhão com obras de Rubem Valentim e Ivan Serpa. A Gomide&Co vendeu uma obra de Amadeo Lorenzato por R$ 800 mil e trabalhos de Hélio Oiticica e León Ferrari na faixa de R$ 1 milhão. A Fortes D’Aloia & Gabriel registrou vendas entre R$ 40 mil e mais de R$ 500 mil, enquanto a Galeria Raquel Arnaud negociou obras entre R$ 60 mil e mais de R$ 200 mil.


Outras galerias também elevaram significativamente seus valores médios de venda. A Galeria Marília Razuk confirmou negociações entre R$ 50 mil e R$ 180 mil. A Cerrado Galeria vendeu obras de Conceição dos Bugres e aquarelas de Dalton Paula com valores convertidos em dólar. A Janaina Torres Galeria registrou vendas entre R$ 51 mil e R$ 120 mil. O destaque mais comentado da edição foi uma tela de Tarsila do Amaral avaliada em R$ 19 milhões, reafirmando o modernismo brasileiro como o segmento de maior estabilidade dentro do mercado nacional. O crescimento, porém, não ficou restrito às faixas mais altas. Galerias menores também ampliaram seus tickets médios, indicando expansão distribuída entre diferentes segmentos. Segundo dados da Act/Art, o mercado de arte brasileiro registrou crescimento médio anual de 8% entre 2021 e 2025. O perfil das compras também revela mudanças importantes. As obras mais negociadas pertenciam a artistas com trajetória institucional consolidada, produção coerente e presença recorrente em coleções públicas e privadas. O colecionador atual acompanha histórico expositivo, documentação e permanência de linguagem com muito mais atenção do que há alguns anos. Artistas como Ayrson Heráclito registraram forte demanda justamente porque combinam pesquisa consistente, circulação internacional e reconhecimento institucional.


O setor de design também ampliou espaço com o lançamento do Design NOW, reunindo estúdios já consolidados e fortalecendo o mobiliário autoral como categoria colecionável. Ao mesmo tempo, a edição de 2026 registrou uma das maiores audiências da história da feira, especialmente no último dia. Parte desse público chegou motivada pela circulação de imagens e vídeos nas redes sociais. Os corredores permaneceram cheios durante horas e muita gente visitou a feira pela primeira vez. Ainda assim, existe diferença entre visitar uma feira e compreender aquilo que está sendo negociado dentro dela. Quem acompanha o circuito reconhece rapidamente quais galerias ampliaram valor de venda, quais artistas chegaram reservados antes da abertura e quais obras foram posicionadas para consolidar reconhecimento institucional. Para o artista que busca inserção profissional, a SP-Arte continua como leitura objetiva do mercado brasileiro. As obras negociadas apresentam recorrências claras: linguagem reconhecível, produção coerente, trajetória documentada e continuidade de pesquisa. A feira muda de escala, amplia público, acelera negociações e reorganiza interesses, mas algumas exigências permanecem praticamente inalteradas dentro do mercado de arte.






Fontes: Arte Que Acontece, Act/Art, Portal Filipe Mello, Revista Zelo, Times Brasil

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