• Marisa Melo

O hiperrealismo de Pedro Lopes



Quem imagina um mundo sem música? Conseguiríamos viver sem a Arte? Os sons e as cores que nos encantam muitas vezes nos ajudam a entender o que nos cerca, e também o que se passa em nossos corações. Sempre haverá quem queira interpretar ou rotular a Arte. Discussões intermináveis, livros e mais livros, muitas vezes escritos em uma linguagem hermética e pouco acessível, tentam provar que a Arte deve se afastar da realidade, oferecendo ao observador uma válvula de escape, uma rota de fuga. Outros, igualmente enfáticos, dirão o contrário: a Arte deve refletir com exatidão o que vemos, nossos acertos e erros, tornando-nos mais conscientes de nossos direitos, nossos desejos e de nosso papel político e social.



"Os Cães"



É válido dizer que a Arte de Pedro Lopes cumpre, paradoxalmente, os dois papéis. O rótulo de hiperrealista é supérfluo, mas ele realmente representa a realidade.



É impossível ficar indiferente a suas obras. A surpresa aumenta quando descobrimos que o “pintor” não usou uma gota de tinta. Do que se trata, então? Desenho ou fotografia? E o observador, maravilhado, descobre que a imagem tão nítida, tão viva, quase tridimensional, é feita com lápis de cor. Como aqueles que usávamos na infância para desenhar nossas casinhas com chaminés e nossas árvores em verde e marrom.

Na obra “Yin Yang”, as mãos de Pedro, uma vez mais transformaram lápis em varinhas mágicas para capturar o brilho dos olhos. O pelo dos cães pede uma carícia e as dobras e sombras dão a impressão de que os dois saíram do mundo bidimensional e logo virão, rabos abanando, em nossa direção. Superrealismo e Surrealismo começam a se confundir. E o observador também, incrédulo em relação ao fato de que essa imagem impressionante não foi feita por uma máquina fotográfica.

Mas Pedro Lopes vai além da técnica. Vencida a hipnose da perfeição da forma, chegamos a um conteúdo relevante. Sentimentos envolvidos, que de tão nítidos, podem nos escapar. OS cães nos representam. E, com eles, nossas dualidades. Nosso preto, nosso branco. Nossa tristeza, nossa alegria. Referência a nossa instabilidade, essa obra será vista de modos diametralmente opostos, dependendo de nosso estado de espírito no momento. Para o feliz e para o infeliz, ela será um lembrete da transitoriedade da vida e de tudo dentro dela.

Porque tanto noites longas como dias intermináveis, acabam, enfim, passando.


Um convite ao equilíbrio, esse adorável retrato de nossos humores se fixa em nossas retinas e em nossa memória.

Ao prazer visual se soma o aprendizado. A essência da Arte.

E entendemos que pode até existir em algum lugar um mundo sem Arte.

Mas não teria graça nenhuma viver nele.



"The Dogs" – Pedro Lopes amazing Art


Who can imagine a world without music? Could we live without Art? The sounds and colors that enchant us often help us to understand what surrounds us, and also what goes inside our heart. There will always be those who want to interpret or label Art. Endless discussions, books and more books, often written in a hermetic and inaccessible language, try to prove that Art should move away from reality, offering the observer an escape valve, an escape route. Others, equally emphatic, will say the opposite: Art must accurately reflect what we see, our successes and mistakes, contributing to the awareness of our rights, our desires and our political and social role.

It is valid to say that the Art of Pedro Lopes fulfills, paradoxically, both roles. The hyperrealistic label is superfluous, but he really represents reality.

A representation that is characterized by impact. It is impossible to remain indifferent to his works. The surprise increases when we discover that the “painter” did not use a drop of paint. What is it about, then? Drawing or photography? And the observer, amazed, discovers that the image so sharp, so vivid, almost three-dimensional, is made with colored pencils. Like those we used in childhood to draw our little houses with chimneys and our trees in green and brown.


The skill is so great, the work is so real, that Pedro often publishes videos to document his creative process. So that no one thinks it's a photograph. At the same time, he runs away from concrete reality, because no one sees with such a wealth of details and also because this realism puts our imagination to work.

In the work “Yin Yang”, Pedro's hands, once again transformed pencils into magic wands to capture the brightness of the eyes. The dogs' fur calls for a caress and the folds and shadows give the impression that the two have left the two-dimensional world and will soon come, tails wagging, towards us. Superrealism and Surrealism begin to mingle. And the observer gets confused, incredulous at the fact that this impressive image was not made by a camera.

But Pedro Lopes goes beyond technique. Overcoming the hypnosis of perfection of form, we come to a relevant content. Feelings involved, which are so clear that can escape us. Dogs represent us. And with them, our dualities. Our black, our white. Our sadness, our joy. Reference to our instability, this work will be seen in diametrically opposite ways, depending on our mood at the moment. For the happy and the unhappy, it will be a reminder of the transience of life and everything within it.

Because both long nights and endless days, finally, they pass.

An invitation to balance, this lovely portrait of our moods is fixed in our retinas and in our memory.



Learning comes together with visual enjoyment. The essence of Art.

And we understand that there may even exist a world without Art somewhere.

But it would be no fun at all to live in it.



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© 2019 Marisa Melo

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