• Marisa Melo

Há crianças feridas, escondidas em adultos difíceis


Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis cita um verso de William Wordsworth: “O menino é pai do homem”.



A infância tem uma enorme influência que se estende por toda nossa vida. É fato que muitos dos sonhos que movem o adulto são criados e consolidados já na infância. Imagens de viagens, casamentos, trabalhos e conquistas permanecem em nossa memória e contribuem para nossas decisões, muitas vezes sem que percebamos. Nesse sentido, o adulto é o fruto e a realização de planos e promessas concebidos quando ainda era criança. Seguir esse caminho, manter sempre viva a criança dentro de nós, com sua curiosidade e sua alegria passa a ser uma qualidade socialmente elogiada.

Mas a infância idealizada, onde não existe tristeza, morte e contrariedade, simplesmente não existe. Todos experimentamos, em diferentes graus, o sabor agridoce da alegria combinada com a tristeza. A festa de Natal, o animal de estimação que morreu, o bolo de chocolate, ir dormir com fome, a pobreza, a bicicleta, a morte de um parente...Crescemos e vamos, pouco a pouco, filtrando nossa memória. Lembramos do que foi bom e convenientemente vamos nos afastando, vamos apagando o que não foi tão bom. Nesse caso, o esquecimento pode ser uma bênção.

O nosso emocional, principalmente no que se refere a relacionamentos, está muito conectado ao que vivemos na infância. Especialmente em relação a nossos pais. A situação esperada é a de pais amorosos, presentes, que se amam e nos amam, que transmitem toda a segurança de que a criança precisa para enfrentar o mundo. Mas nem sempre é assim.

Existem motivos espirituais no entrelaçamento das vidas. Há quem diga que “não pedimos para nascer”, mas a verdade pode ser bem outra. E esses problemas entre pais e filhos podem afetar a própria saúde física.

O modelo oriental configura o ser humano como uma série de corpos concêntricos, igual àquelas bonecas russas onde você abre a maior e encontra uma menor. Abre essa e encontra uma menor ainda.

Nesse modelo, nosso corpo mais externo é o espiritual. Logo abaixo, o emocional, até chegarmos ao corpo físico.

Se estamos emocionalmente feridos, isso afeta o corpo físico, gerando doenças. Esse é um ensinamento muito importante: nossos problemas emocionais geram doenças físicas. Nesse sentido, a melhor prevenção possível é acertar as diferenças, perdoar as ofensas, para garantir o equilíbrio emocional e, consequentemente, a saúde física.

Os adultos “difíceis” estão doentes.


Nosso desafio é viver, com todos, a saudação oriental “Namastê”. Que significa: “o Deus que mora dentro de mim reconhece e saúda o Deus que mora dentro de você”. Somos todos partes de um Universo de luz. Reconhecer essa divindade em tudo e em todos nos permite ajudar ao próximo. E entender que não existe “eu” ou “você” ou “os outros”. Somos todos a mesma energia. Somos todos “um”.

Namastê


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© 2019 Marisa Melo

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